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Se você já passou pelo sufoco de ver o carro parar no meio da rua, sabe que o serviço de guincho é o nosso melhor amigo nessas horas. No entanto, o que era para ser a solução de um problema pode acabar se tornando uma dor de cabeça ainda maior se o transporte não for feito do jeito certo. 

Muitos motoristas acreditam que, uma vez que o carro está na plataforma, o trabalho acabou, mas é aí que moram os riscos de pequenos (ou grandes) danos na lataria, suspensão e câmbio.

Imagine que você está esperando o socorro e, finalmente, o caminhão aparece. É fundamental contar com um serviço de guincho 24 horas que seja de confiança, mas a sua supervisão no local faz toda a diferença. Por mais que o profissional seja experiente, cada carro tem suas particularidades. 

5 cuidados essenciais ao chamar um guincho para não danificar seu veículo

Um carro baixo exige cuidados diferentes de uma caminhonete alta, por exemplo. Por isso, preparamos este guia simples e direto para você garantir que seu veículo chegue ao destino exatamente como saiu das suas mãos.

1. Verifique o tipo de guincho ideal para o seu carro

Nem todo guincho é igual, e saber disso é o primeiro passo para proteger seu patrimônio. Existem basicamente dois tipos comuns: o guincho de plataforma (asa delta ou prancha) e o guincho de reboque por cabo.

Para a grande maioria dos veículos de passeio modernos, o guincho de plataforma é o mais seguro. Nele, o carro é içado por um cabo de aço e fica inteiramente em cima da prancha do caminhão. Isso evita que as rodas fiquem em contato com o solo, o que previne danos na suspensão e no sistema de tração.

Se o seu carro for automático ou tiver tração nas quatro rodas, o cuidado deve ser dobrado. Arrastar um carro desses com duas rodas no chão pode destruir a transmissão em poucos quilômetros. Sempre informe ao atendente qual é o modelo do seu carro para que enviem o equipamento correto.

2. Atenção ao ponto de ancoragem

Este é um erro muito comum: prender o cabo de aço do guincho em partes frágeis do carro, como o para-choque ou peças da suspensão. Se o profissional fizer isso, o peso do veículo pode entortar peças metálicas ou até arrancar o plástico do para-choque.

  • Onde prender? Quase todos os carros possuem um local específico para isso. Em alguns modelos, há um “gancho” escondido atrás de uma tampinha no para-choque.
  • Manual do proprietário: Se você não sabe onde fica o ponto de ancoragem, dê uma olhada rápida no manual. Isso evita que o seu carro sofra uma pressão desnecessária em locais que não foram feitos para aguentar peso.

3. Cuidado com o freio de mão e o câmbio

Pode parecer estranho, mas na hora de subir no guincho, o carro precisa estar “livre”. Se você deixar o freio de mão puxado ou o carro engatado enquanto o cabo de aço tenta puxá-lo para cima da plataforma, você estará forçando o motor e os freios contra a força do guincho.

  • Ponto morto: Deixe o carro em ponto morto (neutro) para que ele role suavemente para cima da prancha.
  • Câmbio Automático: Coloque na posição “N”. Só mude para “P” (Park) depois que o carro já estiver devidamente posicionado e desligado em cima do caminhão.

Vale lembrar que, se o problema for pane elétrica, como uma falha na bateria jeep compass ou de qualquer outro modelo moderno, o câmbio pode travar na posição “P”. Nesses casos, existe um botão de liberação manual (geralmente escondido próximo à alavanca) que permite colocar o carro em neutro mesmo sem energia.

4. Proteção da lataria e para-choques

Carros que são muito baixos ou que possuem “spoilers” (aquelas saias plásticas na frente e nos lados) correm um risco enorme de raspar na rampa do guincho. Quando a plataforma inclina para o carro subir, o bico do veículo pode bater no chão ou no metal da prancha.

Para evitar isso, uma dica de ouro é pedir ao motorista do guincho para usar calços de madeira. Colocar pedaços de madeira na base da rampa diminui o ângulo de subida, permitindo que o carro suba sem que a frente ou o fundo batam em nada. É um cuidado de dois minutos que evita riscos caros na pintura.

5. Amarração e fixação das rodas

Depois que o carro já está em cima do guincho, ele precisa ser “amarrado”. Se o caminhão passar em um buraco ou fizer uma curva brusca, o seu carro não pode se mexer lá em cima.

O método mais seguro é o uso de cintas de nylon que prendem as rodas diretamente na plataforma. Nunca permita que usem correntes metálicas encostadas diretamente nas suas rodas ou na suspensão, pois o metal com metal vai riscar suas rodas de liga leve ou danificar a proteção contra ferrugem do chassi.

Além disso, verifique se as quatro rodas estão firmes. Um carro solto em cima de uma plataforma é um perigo não só para o veículo, mas para todos que estão no trânsito.

Dicas extras para sua segurança

Além dos cuidados com o carro, não se esqueça de você e dos seus pertences:

  1. Retire objetos de valor: Não deixe bolsas, carteiras ou eletrônicos visíveis dentro do carro enquanto ele é transportado.
  2. Faça fotos: Antes do carro subir no guincho, tire fotos de todos os ângulos (frente, traseira e laterais). Isso serve como prova caso o carro sofra algum risco durante o trajeto.
  3. Acompanhe o trajeto: Se possível, vá junto na cabine do guincho ou siga o caminhão com outro transporte até o mecânico ou sua casa.

Conclusão

Contratar um serviço de guincho é uma medida de segurança, mas exige que o motorista esteja atento aos detalhes. Tratar o seu veículo com carinho nesse momento crítico garante que, após o conserto, ele esteja pronto para rodar sem marcas desse imprevisto. 

Lembre-se: a pressa é inimiga da perfeição, especialmente quando se trata de içar toneladas de metal e tecnologia.